terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Capitulo Um Aprendendo com a peregrinação de Elimeleque e de Noemi!


Aprendendo com a peregrinação de Elimeleque e de Noemi!
“ Nos dias em que os juízes julgavam,houve fome na terra, e um homem de Belém de Judá, saiu a habitar no país de Moabe, ele, sua mulher e seus dois filhos.” (Rt.1:1).
Introdução: O período dos juízes, foi marcado por uma transição religiosa,foi um período de inconstância espiritual em Israel,onde a nação tinha dificuldades de estabelecer um período prolongado de retidão,fidelidade,santidade na presença de Deus.
Em nossos dias há um forte paralelo com este período bíblico, pois há um fenômeno preocupante dentro da igreja, que podemos chamar de “quedas espirituais”. Não somente no âmbito individual, onde ao passo que as igrejas arrebanham multidões, há um constante aumento de pessoas decaindo da graça, e no que se refere a igreja como um todo, o corpo de Cristo, sofre de uma decadência espiritual, doutrinária, teológica e moral.
E como caracterizava-se naqueles dias, podemos apontar dentre muitas causas, três, que desencadeam todo o processo:
1°falta de instrução;
2°falta de direção;
3°falta de líderes espirituais;
Certa feita o salmista orou e disse: “Tu me farás contemplar os caminhos da vida; na tua presença me encherás de alegria, com delícias perpétuas à tua direita.” (Sl.16:11)
O anseio da alma de Davi, eram caminhos planos para andar, diretrizes na qual pudesse realmente acreditar, e compreendeu que somente em Deus encontraria.
A falta de instrução: “ Dá instrução ao sábio,e ele se fará mais sábio ainda; ensina ao justo e ele crescerá em prudência.” (Pv.9:9)
Durante o período dos juízes, há uma expressão comum que diz; que após a morte de um juiz, os filhos de Israel tornavam a prática do mal, até que Deus ouvia o clamor do povo oprimido e lhes dava um juiz, um líder. Os juízes levantados por Deus não tinham uma preocupação iminente em preparar líderes para darem continuidade ao seu trabalho. Nenhum juiz apresentou uma visão a longo prazo em relação a este aspecto. Exerciam autoridade, porém não velavam pela instrução, pelo discipulado, não se preocupavam com a transição de uma geração para outra, deixando neste interlúdio uma lacuna no que se refere a estabilidade espiritual da nação.
2°Pela ausência de instrução: desencadeava-se o segundo fator; a ausência de direção, e outra característica deste período é: “Naqueles dias não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos.” (Jz.21:25). Ou seja, como obreiro do Senhor, precisa haver uma constante análise de seu trabalho, pois erros simples que passam desapercebidos no presente, podem desencadear uma série de outros erros no futuro. Observe que, embora estejamos analisando três causas que contribuíram para a oscilação de Israel, tanto na área social, governamental como espiritual, há uma profunda correlação entre ambas, de modo que é impossível desmembrar uma das outras. Este problema só foi solucionado quando Samuel assume a posição de último juiz e primeiro profeta de Israel, uma vez que sua primeira atitude é fundar a escola dos profetas, onde o ensino é difundido, e Samuel começa a cultivar um ensino espiritual, preparando moços para serem usados por Deus, mas promovendo também matérias seculares, visando o desenvolvimento intelectual dos alunos. Note que uma visão de um líder espiritual consegue instruir, direcionar e promover a espiritualidade.
3°A ausência de líderes preparados e comprometidos com seu ministério: Note que mesmo os líderes vocacionados por Deus relutavam em assumir responsabilidades, e, estes são os piores de todos os homens. Pois o pior não é o que erra tentando acertar, mas sim, o que se omite de suas responsabilidades, pois a covardia e o descaso precedem graves erros.
Baraque por sua covardia não teve todos os méritos em sua batalha, e o livramento foi atribuído a uma mulher. Gideão, por seu descaso promoveu a idolatria em Israel, fez uma estola sacerdotal para ISRAEL adorar, e o povo veio a se prostituir ali. Sansão por seu descaso veio a se misturar com uma prostituta aliada dos inimigos de Israel. Estes homens entraram para a galeria dos heróis da fé, por suas atitudes de fé em tempos de apostasia espiritual, e pela fidelidade de Deus, que apesar de todas intempéries, e equívocos cometidos por estes homens, deu-lhes um fim de honra, triunfando sobre os inimigos em seus dias, mas em geral, foram homens que poderiam ter uma história muito mais excelente. Isto também traça um paralelo com os homens levantados por Deus em nossa geração, muitos não desenvolvem a chamada do Senhor em sua totalidade, outros tem seus ministérios abreviados por acidentes no percurso, acidentes que poderiam ser evitados, outros chegam ao poder e, como grande parte dos juízes gastam todos os anos preciosos que Deus lhes deu preocupados apenas com o presente, com o hoje, não fazem um trabalho pensando no futuro. Pregam muito sobre a águia e seus atributos; sua visão de longo alcance, seus vôos, suas asas, sua velocidade, seu renovo em idade avançada, o privilégio de degustar o melhor salmão dos mares, mas vivem como verdadeiras galinhas, voando baixo, comendo sobras, fazendo barulho e deixando um rastro de sujeira por onde passam.
Estes homens receberam de Deus unção para romper a barreira do natural e andar no sobrenatural, autoridade para liderar, vencer inimigos poderosos, conquistar territórios, e não compreenderam o que tinham nas mãos. Que Deus nos ajude a valorizarmos tudo o que de suas mãos temos recebido, sabendo que dons, vocação, ministérios, são oportunidades que Deus dá a menos de 1/10 de toda a humanidade, e que a qualquer momento Deus pode levantar outro para ocupar o nosso lugar, e, fazer com maestria o que às vezes fazemos descompromissados.
Quando Saul deixou de atender às expectativas de Deus, o próprio Deus falou a Samuel: já me provi de um rei que é segundo o meu coração.
A decisão de Elimeleque era reflexo dos dias em que vivia. Em nossos dias há no cerne da igreja cristã algumas posturas que incitam decisões equivocadas por parte do corpo de Cristo. Há o sensacionalismo, misticismo, e aqueles que ensinam segundo suas ideologias. Por tais razões há fome na terra, falta pão na casa do pão. Houve fome na terra que mana leite e mel. O pão alimento encontrado em toda parte do mundo, independente da forma característica ou preparo, porém, em Belém (orig.heb:casa do pão) faltou pão.
À luz das escrituras o pão é símbolo da palavra, e não apenas a palavra do intelecto, segundo a expressão comum entre os pregadores 'pão do conhecimento”, mas também o pão que Moisés por revelação divina cita em Nm 4;7 “Também sobre a mesa da proposição estenderão um pano azul; e sobre ela, porão os pratos, e os seus incensários, e as taças, e as escudelas; também o pão contínuo estará sobre ela.” Este pão da proposição trata-se da presença do Senhor, por isso Jesus pode dizer: “...Na verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu, mas meu pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois; Senhor, dá-nos desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome..”João 6;32-35.
O texto de Josué cap.9 relata a história de uma caravana de gibeonitas ... “E os moradores de Gibeão, ouvindo o que Josué fizera com Jericó e com Ai, usaram também de astúcia, e foram, e se fingiram embaixadores, e tomaram sacos velhos sobre os seus jumentos e odres de vinhos velhos, e rotos e remendados; e nos pés sapatos velhos e remendados e vestes velhas sobre si; e todo o pão que traziam para o caminho era seco e bolorento.”Js 9;3-5
Observe as condições dessa caravana:
1°odres de vinhos velhos, rotos e remendados;
LUCAS 5;37 “E ninguém põe vinho vinho novo em odres velhos; de outra sorte ,o vinho novo romperá os odres e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão. Mas o vinho novo deve ser posto em odres novos, e ambos juntamente se conservarão. E ninguém, tendo bebido o velho, quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.”
Naqueles dias Israel estava saboreando o vinho novo, não fermentado, de alegria, novidade de vida.
2°...e nos pés sapatos velhos e remendados e vestes velhas sobre si...
DEUTERONÔMIO 29;5 “ E quarenta anos vos fiz andar pelo deserto; não se envelheceram as vossas vestes, nem se envelheceu no teu pé o teu sapato.”
Note o contraste entre uma caravana em miséria e o cuidado de Deus sobre a congregação de Israel
3° o pão era seco e bolorento...
Israel tinha o pão da proposição que apontava para Jesus, o pão vivo que desceu do céu.
4°velho,roto e remendado...
três características principais da caravana gibeonita; E Jesus disse ; “Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica ainda maior.” Mc 2;21
Israel era o tecido novo preservado por Deus durante 40 anos no deserto, e aquela caravana era o vestido velho. Jesus disse que esta junção faria uma rotura ainda maior, e de fato foi o que houve, os gibeonitas foram amaldiçoados, tornando-se escravos.
As condições dessa caravana são tipos, figuras de alguns princípios espirituais, que podemos expor da seguinte forma. Quando faltou pão em Belém;
1°faltou a presença de Deus que preservava a nação. O pão que era vivo agora era escasso, seco e bolorento, como o pão dos gibeonitas. E infelizmente, muitas igrejas já perderam o pão da proposição, e tem servido pão dos gibeonitas na mesa, pão seco e bolorento; mensagens mortas, com um conhecimento morto, pois o conhecimento sem a presença de Deus, na linguagem paulina é chamado de “caducidade da letra”, por isso que na mesa da proposição (Nm.4:7-9) tinha o pão que aponta para a presença de Deus, tinha o incensário que aponta para a oração e o castiçal da luminária que aponta para a revelação de Deus. Quando faltam estes três elementos na mesa da proposição na igreja, que hoje é o púlpito, o pão é seco e bolorento. As pessoas passam horas na igreja e saem do mesmo modo que entraram, almas vazias, mensagens que não transformam, que não curam, incapazes de produzirem nos ouvintes o desejo de ter e viver a vida de Cristo. E acabam como os moradores de Belém; no lugar da bênção, mas em miséria espiritual. A alma transparece o que recebe, e na falta de alimento espiritual, definha, enfraquece.
2°O pão, o vinho, o odre e as vestes;
Todos estes elementos na congregação de Israel eram novos, apontando para uma constante novidade de vida mesmo em meio ao deserto da história. Nem o deserto que por vezes podemos atravessar ao longo de nossa vida cristã, tem poder de envelhecer;
-O pão; a presença de Deus. Lembre-se que Jesus foi ao deserto, e a presença viva da palavra o fez vencer Satanás;
-O odre;as promessas. Por esta causa Paulo exorta seu filho Timóteo; “Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por ela boa milícia, conservando a fé e a boa consciência.” I Tm 1;18,19
As promessas não envelhecem com o tempo, não enfraquecem com o fator externo. Como o odre preserva o vinho, assim as promessas preservam a nossa alegria, fé e boa consciência, sabendo que : “...se com ele perseverarmos, também com ele reinaremos.”II Tm 2;12
-O vinho;alegria insondável,inefável,infindável,que somente a casa de Israel conheceu.
-As vestes;as vestes dos santos são descritas como sendo de linho fino e puríssimo, lavadas no sangue carmesim, mais alvas que a neve ou branca lã .Vestes de justiça, santidade e separação, e não envelhecem pois estes valores não mudam. “Pelo contrário, assim como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos vós mesmos em todo vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos porque eu sou santo.”I Pe 1;15,16
E ainda: “Jesus Cristo ontem, hoje e sempre.” Hb 13;8
Quando falta o pão em Belém de Judá, o líder de uma casa, a saber, Elimeleque, vende sua propriedade em Belém, para ir a Moabe. E, Moabe à luz do contexto teve um sabor amargo na história dessa família, e na direção que Elimeleque toma para o futuro de sua casa existem alguns princípios espirituais. Veja o que representou Moabe na história dessa casa:
1° Moabe,ribeiro ilusório. As águas da cidade foram amargas a família. Isto nos leva a considerar que nem sempre quando as crises surgirem a melhor solução é migrar, muitas vezes a solução está
justamente em ficar e enfrentar.
2°Moabe,um atalho para conquistar. Na ânsia de conquistar um futuro melhor para sua casa, Elimeleque viu em outras terras, uma eventual possibilidade. Mas, aquele atalho teve um preço alto demais; sua própria vida. Isto lança luz à uma reflexão: “ atalhos que deixam seqüelas”.O atalho de Moabe, deixou uma seqüela profunda no seio da família, abreviou os dias de Elimeleque. Quantos
atalhos nos negócios que não deixam um rastro de dívidas, situações mal resolvidas, gerando vergonha para a própria casa. Quantos atalhos nos relacionamentos não geram morte espiritual, e o fim de um projeto de vida. Quantos atalhos no ministério não levam obreiros a assumirem responsabilidades antes do tempo, expondo suas famílias a mudanças bruscas, às vezes de cidade, estado, país, sacrificando o bem estar de esposa e filhos, sob um pretexto de estar fazendo a obra de Deus. O empresário Elimeleque é aquele ambicioso que faz investimentos de alto risco de forma inconseqüente. A questão não é o risco em si, e sim a ausência de uma garantia de retorno.
Elimeleque é um garimpeiro que arrisca sua vida em um campo minado. Elimeleque é um obreiro que não pensa em sua família na hora das decisões. Em suma, alguém que se propõe a assumir riscos
quando o retorno não é maior que o risco assumido.
3°Moabe, fuga dos desafios. O desafio de Judá era simplesmente de trilhar o caminho do arrependimento, e Deus mudaria a história. Partindo desse prisma, o primeiro desafio de um cristão quando as dificuldades surgirem, é buscar ao Senhor, pois dele vem o milagre. Mas a postura auto suficiente foi o agravante. Naqueles dias não havia rei em Israel e cada um fazia o que lhe parecia correto aos olhos. Quando o sentimento de auto suficiência toma conta da casa de Israel a crise vai se agravando com o passar dos dias. Por esta causa disse Davi: “Não faz caso da força do cavalo, nem se compraz nos músculos do guerreiro. Agrada-se o Senhor dos que o temem, e dos que esperam na sua misericórdia.”Sl 147;10,11
Não fuja de desafios espirituais. Neemias quando estava reconstruindo os muros de Jerusalém, enfrentou uma série deles, mas quando confrontado disse: Um homem como eu fugiria?
Ne 6;11
4°Moabe,cemitério dos sonhos. Nas terras longínquas de Moabe, foram sepultados os sonhos de uma família.
“Há caminho ao homem que parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte. ” Pv 14;12
Foram sepultados os sonhos de três homens; Elimeleque, Malom e Quiliom. E os sonhos de três mulheres: Noemi, Rute e Orfa. Observe que uma atitude reflete no futuro de seis pessoas. O efeito esporádico de nossas atitudes é aquele que é percebido a curto prazo, e o efeito sistêmico é aquele que é percebido a longo prazo. Nem sempre quando os efeitos esporádicos são satisfatórios, os efeitos sistêmicos serão também. Após dez anos em Moabe, aquela casa ainda sofria com os efeitos de decisões do passado.
A família desce a Moabe e a primeira atitude; os filhos de Judá casam-se com mulheres moabitas, o que segundo a lei mosaica era abominável, Israel deveria ser obrigatoriamente separado.
No período pós-exílio, tal atitude caracterizou-se um laço para Israel. Observe o texto de Neemias 13;23,24 : “Vi também naqueles dias judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas. Metade de seus filhos falavam a língua de asdode ou a língua de um dos outros povos, e não podiam falar a língua de Judá.”
Em Esdras cap.10, Esdras faz o povo despedir as mulheres estrangeiras.
Neemias relata que a nova geração que nascia no coração de Jerusalém não sabia falar a língua de Judá.
Isto aponta para o enfraquecimento e a perda dos valores, históricos, familiares e acima de tudo; espirituais. Quando Ciro promulga o fim do cativeiro israelita na Babilônia e incentiva o retorno para Jerusalém, muitos filhos de Israel preferiram ficar na Babilônia, pois haviam se misturado com o povo, casaram seus filhos com caldeus, e a linguagem de Judá não os comovia mais, a linguagem da separação, da consagração da família ao Senhor, o cântico de adoração a Jeová, não era prioridade.
A língua asdodita aponta para uma língua mundana, distante do propósito de Deus.
Este é o perigo do séc. XXI, a mistura excessiva da Igreja com o mundo. Lembre que Pedro quando negava Jesus, alguém lhe disse; tu falas como ele!!! A Igreja de Cristo tem uma linguagem peculiar, o profeta Isaías disse que a nós foi dado uma língua erudita.
Quando os filhos da Igreja dão-se em casamento com ímpios, a tendência é culminar neste ponto; a mistura que enfraquece os valores da fé.
Cap.1;4,5...quando já fazia quase dez anos que moravam ali, morreram Malom e Quiliom.
Com o passar dos anos todo vínculo com Judá ia desvanecendo, e não houve tempo de retornar a Judá. Este quadro repete-se em nossos dias, muitas famílias saem de Belém de Judá, a Igreja, e quando retornam trazem uma história de perdas, voltam com o luto, com traumas, com um grande vazio na alma, e a sensação de ter desperdiçado preciosos anos de sua vida longe do Senhor. Quantos casais que voltam quando a peregrinação em Moabe destruiu seu casamento, usurpou-lhe os filhos, e de uma família que um dia foi feliz na igreja só restam lembranças. Então voltam, não mais como Noemi, mas sim como Mara, em profunda amargura de alma.
Noemi significa;agradável. Mara significa; amarga. Noemi diz que cheia saiu. Mara diz que vazia voltou. Em Moabe ficou muito mais que os bens da família, ficou a alegria da alma.
v.6 “Então se levantou ela com as suas noras e voltou dos campos de Moabe, porquanto na terra de Moabe, ouviu que o Senhor tinha visitado o seu povo dando-lhe pão.”
Isto leva-nos a considerar o cuidado de Deus por Belém; casa do pão. A crise não permanece num lugar que Deus escolheu para si. Ao longo da história a cidade enfrentou momentos difíceis, mas Deus sempre esteve velando pela cidade.
Quando o silêncio de Deus imperava na judéia, foi numa manjedoura em Belém que o silêncio se quebrou, então ouviu-se um cântico de uma multidão dos exércitos celestiais... “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens !!(Lc.2:13,14)
Quando o Senhor lembrou-se de Belém dando-lhe pão, a sua presença, a sua provisão, houve uma colheita, houve um novo tempo em Judá. Tempo de colheita, os celeiros transbordaram .O V.22 ...
“Assim voltou Noemi da terra de Moabe, e com ela Rute, sua nora, a moabita, chegaram a Belém no princípio da sega da cevada.”
O regresso a Belém representa:
1°o fim de um deserto espiritual;
Em Moabe, cultuava-se a Moloq, onde os pagãos ofereciam seus filhos em sacrifício. Em Belém havia o culto ao Deus vivo, este regresso é figura de reconciliação com Deus. Noemi era como velha sem pastor, ferida pelos espinhos da vida, maltratada pelo deserto espiritual de Moabe, errante, sem perspectiva, sem esperança, mas o pastor de Israel não esqueceu-se da viúva. Nem de Rute, que até o momento não havia gerado ainda. Observe que as duas noras de Noemi. Rute e Orfa, não tiveram filhos. Não porque fossem estéreis, mas Moabe é uma terra estéril. Mas diz o Senhor; “Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; exulta com alegre canto, e exclama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária, do que os filhos da casada, diz o Senhor. Não temas, porque não serás envergonhada; não te envergonhes, porque não sofrerás humilhação; pois te esquecerás da vergonha da tua mocidade e não mais te lembrarás do opróbrio da tua viuvez. Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda terra. Porque o Senhor te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus. Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação escondi de ti a minha face por um momento, mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor.”IS 54;1,4-8.
2°o fim da solidão;
“Deus faz com que o solitário habite em família, e liberta aqueles que estão presos em grilhões,mas os rebeldes habitam em terra seca.” (Sl 68:6); Davi compõe este Salmo com base em sua experiência pessoal. Ao longo de sua carreira experimentou diversos momentos de solidão, houve ocasiões que sua família parecia estar à beira de um precipício. Em I Sm 19, o rei Saul manda seus homens invadirem a casa onde Davi,morava com sua esposa e filha do rei; Mical .E os homens de Saul vão pronto para matá-lo, e Davi é obrigado
a deixar para trás sua casa,sua esposa, o conforto do lar, e daí por diante longos dias de solidão nos desertos e cavernas, fugindo de Saul, embora não tivesse culpa nenhuma,o salmista teve que enfrentar até que Deus provesse uma nova família. Por isso reconhece que família é dádiva de Deus, que o galardão do solitário é habitar em família. Em pouco menos de dez anos a casa de Noemi se desfaz, deixando um grande vazio na alma da viúva, não havia qualquer perspectiva de restituição daquela linhagem, o nome da família iria cair no esquecimento, mas quando volta para
Belém, o Senhor daquele povo toma o nome de sua família. Disse o apóstolo Paulo: “ Por esta causa me ponho de joelhos diante do pai, de quem toma o nome de toda família, tanto no céu como sobre a terra...”Ef 2;14,15
Quando entregamos o nome de nossa família nas mãos de Deus podemos ter a certeza que não cairá no esquecimento.

3°fim da escassez;....chegaram a Belém no princípio da sega da cevada; Estar no centro da vontade de Deus, não significa estar isento de enfrentar períodos de instabilidade. Mas, sim, a certeza de um cuidado todo especial da parte de Deus.
Disse o salmista Davi; “Não serão envergonhados nos dias do mal, e nos dias da fome se fartarão.” (Sl.37:19)
Nos dias de Abraão e Isaque, houve fome na terra, mas o Senhor os fez prosperar num tempo que os indicadores da economia apontava uma depressão econômica.
Nos dias de José, quando a fome perdurou por sete anos na terra, os celeiros do Egito estavam repletos de trigo e cereal, graças a gestão do servo de Deus. De modo que, toda a casa de Jacó; ao todo75 pessoas comiam o melhor da terra, e possuíram os melhores campos do Egito.
Muitos homens de Deus enfrentaram períodos semelhantes em seus dias, porém em cada geração, Deus se revelou de forma singular fartando-lhes a alma.
No deserto, peregrinando rumo a Canaã, Deus mandou o maná e codornizes.
Nos dias de Elias, Deus proveu pão e carne usando um corvo como garçom real. Quando cessou a água, providenciou uma viúva em Sarepta, e sob uma palavra profética houve um milagre de multiplicação que durou mais de três anos numa botija de azeite e numa panela.
O segredo de todos estes milagres é o mesmo; onde há homem de Deus no centro da vontade de Deus, há certeza de fartura. Que Deus nos ajude a nos posicionarmos, e bênçãos virão sobre nossas casas e famílias.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Trocas e Negocios

Trocas e Negocios

Se alguem leu minha cronica A NECESSIDADE DE TRANSGREDIR, ou da TRANSGRESSÃO
Já sabe que estive na cidade, e aqui na minha cidade, que vivo não por opção e muito menos por amor a ela, mais que vivo tem algo peculiar na praça central, sim aquela da catedral onde o "bom velhinho" está vivendo enclausurado num cubiculo vergonhoso, é que desde e a minha infancia nesta praça sempre tem uns senhores idosos trocando relogios, radios, nesta era pós moderna, trocando celulares e um mais moderninho ainda trocando tablet, alguem certa ocasião chegou a dizer que era produto de furto, mais não acredito, voce olha na cara dos senhores, voce olha o produto que eles estão "comercializando" não é coisa de batedores de carteira, é apenas a necessidade de negociar, e quem não sente esta vontade? com certeza se voce pensar ai verá que tem algo na sua casa que comprou pensando, não conseguirei viver sem isto, é importante demais na minha vida, e agora, está jogado no canto cheio de poeira, e sua vontade é trocar, vender enfim negociar, é tão latente isto que aqui mesmo no face tem varias fan pages de compra, vende e troca, e é muito legal, os senhores que ficam na praça estão sendo consumidos pelos jovens negociantes que por fim encontraram uma boa utilidade pro face, fazer dele uma praça de negocios, livre comercio de quinquilharias e ficamos felizes não é verdade?

É interessante vermos, que a disposição dos senhores da praça da catedral é a mesma disposição dos jovens nas suas trocas e vendas na internet, mais tem algo que me preocupa.

No mundo cristão, estamos tambem realizando trocas absurdas, estamos trocando nossa fé até então imaculada, por projetos religiosos enfadonhos, estamos trocando de Igreja sem saber se ganharemos ou perderemos, simplesmente porque já não gosto mais, já não uso mais, nã existem mais cristãos convictos na fé e sim na situação, no momento, e com isto estamos montando uma praça de trocas e barganhas, e a pergunta é TENHO UMA ALMA AQUI PRA VENDER, QUAL IGREJA QUER COMPRAR? meu preço é baratinho, um cargo, um tapinha nas costas, etc...

A Bíblia diz, que nós não devemos nos assemelhar ao mundo, mais a verdade é que somos tão bons negociantes que temos o sotaque do mundo, os trejeitos do mundo, a cara do mundo, não da mais pra saber quem é crente e quem não é num calçadão qualquer da cidade.

Trocas e Negocios é o que o homem tem feito com sua fé, mais que fé é esta? se ela deve ser única, exclusiva e principalmente intriseca, particular.

Meu convite, valorize-se, não se venda, não negocie, sua fé seja frio ou seja quente, mais não seja corrompido pelos dizeres dos homens, se voce tiver que mudar, mude por causa da palavra Ela te leva a liberdade, e mais Ela é a propria verdade, absoluta e santa verdade que nos constrange a reconhecermos que somos pecadores e devedores. do que? do respeito aos nossos lideres, do amor a nossa familia e principalmente da valorização a nós mesmos.

Se formos vender algo, que seja os nossos sapatos, para que possam dizer QUÃO FORMOSOS SÃO OS PÉS DOS QUE ANUNCIAM AS BOAS NOVAS.

Se formos vender algo que seja as nossas bolsas, pois Jesus disse: QUANDO SAIREM NÃO LEVEM BOLSAS CONSIGO, DEUS PROVIDENCIARÁ TUDO.

Se formor vender algo que seja nosso cansaço fisico e mental e que possamos nos desgastar aos pés de Cristo


Atte.


Pr.Dr. Wagner Teruel
www.espacopentecosta.net

A Necessidade da Trasngressão

A Necessidade da transgressão

Deus abençoe meus amigos e irmãos, queridos leitores de minhas cronicas as vezes até absurdas fruto de uma mente divorciada do mundo e inteiramente ligada com as coisas de Deus.
Quero nesta manhã tratar de dois pontos que me deixou perplexo hoje, o brasileiro em especial tem uma necessidade desesperadora de transgredir.
Fui ao centro de onibus, normalmente não ando de onibus, mais fui, feliz vendo as ruas, as pessoas, seus trejeitos, suas falas e fiquei impressionado.
Mulheres falando palavrões como se fossem homens em botecos (não que isto seja louvavel a um homem falar)
Homens falando delicadamente como se fosse mulheres em lojas de lingeries
Mais o mais interessante eu notei quando a cobradora, que não parava de falar ao celular, realizou um troco de uma nota de 50,00 coisa que é proibido (ao menos na placa) mais para que a inconveniente transgressão de falar ao celular na hora de passar o troco não fosse notada, ela corruptivamente realiza o troco sem questionar.

Somos todos transgressores?
Bem ao retornar de pagar as contas, lá estou eu novamente no ponto de onibus, e ao parar o onibus, uma senhora de idade desce pela porta da frente, ora, só se justificaria tal ato infracionario, caso o onibus estivesse lotado, mais estava vazio, ao ponto que pude escolher um lugar que mais me agradava. Por que, esta bendita senhora não realizou o procedimento devido, uma vez que havia condição para tal procedimento? e mais o que passa na cabeça dos "legisladores de catraca" permitir tal absurdo?

Simples a necessidade de transgressão.

Para terminar esta parte, vi o papai noel do centro da cidade, saindo de seu casulo comercial e se dirigindo a Igreja católica, eu pensei deve estar indo pedir perdão por estar enganando as crianças, o que ao meu ver tambem é uma transgressão bi lateral, de um lado o "bom velhinho" e de outro lado os pais, eu o segui de perto, já sei voce deve estar pensando será que eu não tinha o que fazer? na verdade hoje estou tranquilo, bem, voltando o segui de perto, pensei, vai se ajoelhar, vai fazer uma penitencia pelo pecado de iludir as pobres crianças.... ahhh amigos que ledo engano ele foi ao banheiro, o que tambem é uma transgressão multi lateral, o pobre velhinho com incontinencia urinaria, usurpando a "santa sé" deixando ali seus dejetos, a prefeitura de mogi que não providenciou um local pro Noel poder fazer suas necessidades, o que alias o Noel em Mogi das Cruzes está em crise, nos anos que se passaram tinha uma verdadeira mansão na praça da catedral e hoje está em um kitnet muito do sem vergonha escorado nos muros da Escola Coronel Almeida. e por ultimo a propria Igreja Católica que transgride a fé e os bons costumes apoiando o Bispo de Mitra.

Será que somos todos transgressores?
Talvez sim, mais em Isaias o Senhor Deus nos diz que Ele levou sobre í as nossas transgressões e isto nos indica que podemos fazer um mundo melhor, sem acordo ou pacto como nossa Presidente Dilma Rousseff propos, nós temos que fazer pactos ou acordos, o que precisamos é orar pela nossa nação, votar com consciencia e acima de tudo viver este dia como se fosse o ultimo de nossas vidas, fazendo o melhor, corrompendo menos e deixando a hipocresia de lado.


Deus abençoe nossa Nação


Pr. Dr. Wagner Teruel
www.itsteologia.net

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O Deus que diz “EU SOU” o mistério do nome hwhy YHWH

O Deus que diz “EU SOU” o mistério do nome  hwhy YHWH
Samuel Josef Agnon, ganhador do premio Nobel de literatura, conta como Rafael, um escriba da Torá cuja missão era copiar à mão os sagrados rolos, cada vez que chegava a uma passagem do texto original que continha a palavra hwhy YHWH, deixava um espaço em branco, o qual só completava depois de ter realizado uma serie de rituais especiais de purificação. Um procedimento tão complicado pode soar estranho ao ouvidos sul americanos, pois ilustra com perfeição a singular importância de hwhy YHWH, entre os demais nomes divinos da Bíblia. Trata-se do mais sagrado de todos eles, aquele sobre o qual o apostolo Paulo diz que é “O NOME QUE ESTÁ ACIMA DE TODO NOME” (Fp.2:9), mas também o mais comumente empregado, pois aparece 6828 vezes na Bíblia independentemente da versão.
Hoje vamos estudar hwhy YHWH sobre três aspectos:
1 – A parte histórica: No que se refere ao origem do Nome,
2 – Aspectos Filológicos: Relativos ao significado deste Nome Divino e,
3 – Questões Teológicas: O que este Nome pode ter evocado no antigo Israel.
Naturalmente, os três enfoques estão relacionados entre si de forma profunda, mas vou tentar simplifica-los para que fiquem mais claros. Antes, porem, quero me deter em alguns aspectos prévios, entre os quais incluem o caráter sagrado deste nome divino, o empego de palavras substitutivas e os textos mais importantes relativos à hwhy YHWH (Ex.3 e 6).
1 – Um Nome Sagrado a parte histórica: Por que encontramos “O SENHOR” nas traduções da Bíblia?
À medida que os Judeus começaram a considerar que o nome hwhy YHWH era sacrossanto, deixaram de pronunciá-lo, até o ponto que sua dicção se tornou duvidosa e hoje os estudiosos não entram em um acordo a esse respeito. Não se pode dar uma data exata desse processo, mas parece ter ocorrido na época do exilio.
Pensemos na santidade do Nome, no livro de Levitico encontramos um relato da briga entre dois israelitas, durante a luta, um dos contendentes “BLASFEMOU E ALMALIDÇOOU O NOME DO SENHOR”. A gravidade da falta fica evidente pelo castigo que acarretou, o ofensor foi condenado, de acordo com os princípios da lei sagrada, sancionada pela mesma divindade.
“...Aconteceu que o filho de uma israelita e de um egípcio saiu e foi para o meio dos israelitas. No acampamento houve uma briga entre ele e um israelita; O filho da israelita blasfemou o Nome com uma maldição; então o levaram a Moisés. O nome de sua mãe era Selomite, filha de Dibri, da tribo de Dã; Deixaram-no preso até que a vontade do Senhor lhes fosse declarada; Então o Senhor disse a Moisés: "Leve o que blasfemou para fora do acampamento. Todos aqueles que o ouviram colocarão as mãos sobre a cabeça dele, e a comunidade toda o apedrejará; Diga aos israelitas: Se alguém amaldiçoar seu Deus, será responsável pelo seu pecado; quem blasfemar o nome do Senhor terá que ser executado. A comunidade toda o apedrejará. Seja estrangeiro, seja natural da terra, se blasfemar o Nome, terá que ser morto...” (Lv.24:10-16 NVI).
A consciência da Sagrada Santidade do nome se manifesta na tendência a se referir a Deus empregando mihole  Elohim em vez de hwhy YHWH. O uso é claro nas passagens paralelas dos livros de Cronicas e de Reis e em um grupo especial de Salmos  tratamento especial desse nome, que em alguns textos não aparece na caligrafia contemporânea da cópia, uma maiúscula quadrada, mais sim em um alfabeto mais antigo tipo epigráfico: o efeito é o mesmo de quando incluímos no meio de um texto um impresso atual, isto quer dizer que os escritores últimos que esconderam seus escritos nas cavernas de Qnram sequer citavam o nome sagrado por medo de blasfemar, em alguns casos colocavam apenas quatro pontos .... para memorar o nome sagrado.
Na Mishná, a “TRADIÇÃO DOS ANTEPASSADOS”, se escreve acerca dos pecadores que perderam o direito à vida futura, entre eles estão os que negam a ressurreição dos mortos e o caráter divino da lei, mas também os que pronunciam o nome santo. Essa recopilação da tradição legal é datada dos primeiros séculos da nossa era.
O que se fazia então quando na Sinagoga, lendo um texto em voz alta se chegava na passagem que continha a palavra hwhy YHWH? Naturalmente deveria ser substituído por outro nome menos “CARREGADO” do significado, e a escolha comum era a palavra hebraica yanoda ADONAY que significa “O SENHOR”. Ou seja, cada vez que lendo se chegava a hwhy YHWH  se substituía por yanoda ADONAY, o que explica por que onde o texto hebraico simplesmente continha o nome sagrado, nas traduções da Bíblia aparece “O SENHOR”.
Para eliminar a possiblidade de leituras incorretas, os judeus começaram a vocalizar o hwhy YHWH do texto hebraico com as vogais da palavra yanoda ADONAY, este processo ocorreu entre os séculos VI e X dC. sob a direção dos massoretas. É importante, pois, ter claro que a vocalização de hwhy YHWH que aparece na Bíbli hebraica não serve para elucidar o assunto da pronuncia, já que pertence a outra palavra absolutamente diferente, yanoda ADONAY. Ainda assim, alguns estudiosos musturaram as consoantes do tetragrama com as vogais de Adonay, e leram o resultado como JHEOVAH, um nome que teve notável popularidade até o fim do século passado. Os israelitas nunca empregaram tal nome.
Desta forma podemos resumir que hwhy YHWH termo usado na Bíblia hebraica. yanoda ADONAY entretanto, era falado dado a santidade do nome. A mistura das vogais e consoantes para a formação do nome JHEOVAH se deu na idade média, esta forma artificial nada tem a ver com o nome bíblico do Deus de Israel.
Vimos como, no curso do tempo hwhy YHWH chegou a ser considerado muito sagrado para ser pronunciado e foi substituído por yanoda ADONAY, “O SENHOR”. Ocasionalmente esta resistência ao uso de hwhy YHWH é claro no NT. Jesus apresenta o filho prodigo dizendo: “...Pai, pequei contra os céus e contra tí...” (Lc.15:21), uma frase em que o nome sagrado foi substituído pela palavra “CÉU”, isto é chamado de recurso de formas passivas. Chegando a esse ponto, convém tratar o emprego do termo grego: Kyrios Kyrios, referido a Jesus, como sabemos, essa palavra significa “SENHOR”, e é de especial importância para um correto entendimento da Cristologia do NT. comparar o uso Kyrios Kyrios, com a pratica do AT. desde o momento em que parece clara a relação Kyrios Kyrios com yanoda ADONAY e, portanto, com o nome mais santo hwhy YHWH. Um texto chave de Filipenses 2:5-11, que é descrito como um hino a Cristo ou uma peça didática de caráter retorico-pedagógico. A passagem conta de três estrofes  das quais a primeira descreve a pre-existencia de Cristo, a segunda fala da encarnação de Cristo sua vida humana e morte, e a terceira proclama a exaltação de Cristo de um modo significativo para nossos propósitos.
“...Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai...” (Fp.2:9-11 NVI).
Neste texto, para o escritor do sagrado não bastou empregar a forma grega comum hypsóo  hypsóo que significa “HONRAR”, “EXALTAR”, mais ele preferiu uma palavra com o prefixo hyper hyper, um intensiva dor que nos soa familiar em termos como: HIPERSENSIVEL, HIPERTENSO, entre outro. Costuma-se dizer, além disso, que Cristo recebeu “O NOME QUE ESTÁ ACIMA DE TODO NOME” (v.9), um comentário que se esclarece com a precisão de que toda a língua proclamará que o Senhor é Jesus Cristo. Jesus, portanto, através da revelação escrituristica do apostolo Paulo no referido texto, é o mesmo Deus do AT.
Que Jesus é Kyrios Kyrios, ou seja, SENHOR, é uma das primeiras afirmações dos cristãos: “...Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo...”  (Rm.10:9 NVI); “...Por isso, eu lhes afirmo que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: "Jesus seja amaldiçoado"; e ninguém pode dizer: "Jesus é Senhor", a não ser pelo Espírito Santo...” (1Co.12:3 NVI).
É importante observar que a pista desta confissão de Jesus pode ser seguida até as mais antigas comunidades judaico-cristãs da Palestina, e o fio que nos leva até ela é a expressão MARANATA (do original em hebraico מרנא תא, maranâ tâ, "vem, Senhor!") é uma expressão aramaica que ocorre duas vezes na Bíblia.
Em resumo: entre os nomes de Deus no AT. o nome hwhy YHWH é singular na medida em que com o tempo foi considerado sagrado, e na pratica foi deixado de pronunciar, substituindo-o pela palavra yanoda ADONAY, com o sentido de “O SENHOR”. Isto explica porque as traduções modernas da Bíblia remetem a “O SENHOR” “THE LORD”, “DER HERR”, “LE SEIGNEUR” naquelas passagens da Bíblia Hebraica onde se menciona o mais sagrado dos nomes. É claro que esta forma de “reproduzir” o nome de Deus só serve para ressaltar ainda mais seu mistério e perpetuar o segredo que o nome divino encerra.   
Na próxima semana daremos continuidade e nos aprofundaremos mais nas perspectivas histórica, filológica e teológica. Deus os abençoe ricamente.


Atte.


Pr.Dr. Wagner Teruel

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Os nomes sagrados de Deus, ponto de partida da historia da Salvação


Os nomes sagrados de Deus, ponto de partida da historia da Salvação
Quem és, Senhor? Quando perguntamos por alguém desconhecido, o primeiro dado que se espera é o nome; só depois vem os outros detalhes que desenham o retrato do individuo em questão. O nome estabelece e manifesta a identidade pessoal.
Algo semelhante acontece quando alguém se encontra pela primeira vez com o Deus de Israel e recebe o privilegio de poder discernir alguma nova faceta do Ser Eterno. Tais momentos decisivos da historia da salvação tem sido caracterizados às vezes porque Deus se tem apresentado sob um novo nome. Em Genesis 17:1, relata o primeiro desses encontros e Deu se apresenta a Abraão com um “sou EL SHADDAY”, um nome sagrado que habitualmente se traduz como “DEUS TODO PODEROSO”, tempo depois, Deus se revela a Moises e lhe diz: “...Disse Deus ainda a Moisés: "Eu sou o Senhor. Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como o Deus Todo-poderoso, mas pelo meu nome, o Senhor, não me revelei a eles...” (Ex.6:2-3 NVI).
Existem varias formas de abordar o estudo da ideia de Deus no AT. Mais escolhi os nomes divinos como pontos de referencia para a nossa viagem na Bíblia.
Partirei do principio de que os nomes sagrados são símbolos referidos a Deus em termos de categorias tomadas do mundo da experiência humana e que tem, portanto, as peculiaridades da linguagem metafórica. Max Vlack chamou a atenção sobre este funcionamento de seleção, de filtragem, este filosofo, usando, por exemplo a frase: “ O HOMEM É UM LOBO”, observa que tal afirmação metafórica carece de sentido para quem não saiba o que são e como são os lobos. Não basta saber o significado dessa palavra no dicionário; a forma correta de entender a metáfora requer conhecimento de uma serie de tópicos que a palavra LOBO implica para o HOMEM, o resulta é que o HOMEM se converte numa agressiva e habilidosa desta de rapina. Portanto, a metáfora do lobo funciona como um filtro que instantaneamente estrutura e modifica nossa percepção aos excluir das condições humanas certas  qualidades próprias tais como: compaixão, preocupação, carinho etc... que ficam anuladas pela escolha desta símile. A metáfora seleciona, suprime, ressalta e organiza os atributos do sujeito secundário.
Se aplicarmos o que citamos aos homens de Deus na Bíblia, isso significa que nossa tarefa é dupla: primeiro; temos que tentar determinar o conteúdo linguístico de cada nome, e depois, definir o sistema de tópicos associados a cada um. Para faze-lo recorreremos ao estudo dos nomes divinos em seu mais amplo contexto cultural, levando em conta que o objetivo final é permitir uma melhor compreensão da ideia de Deus que cada um deles expressava. Emprego então o termo: “IDEIA DE DEUS”, para expressar em sua totalidade a concepção que os israelitas tinham das qualidades divinas, de suas atividades e de seu campo de ação, por exemplo, se Deus influi ou não na natureza, se intervém ou não na historia, se participa ou não na vida dos indivíduos e das nações etc...
1 – Os Nomes de Deus como principio de Organização:
Quem és, Senhor? Tal é, em essência, nossa pergunta. Consequentemente tratarei de assinalar as diversas respostas que permitem os nomes sagrados do AT. Dessa forma, os próprios nomes apelativos se transformam no principio organizador da pesquisa. Cabe, porem, perguntar se essa forma de trabalho corresponde com a pergunta inicial e com os dados que vamos empregar. Sem entrar na discussão teórica dos problemas metodológicos que suscitam certos estudos recentes sobre a teologia do AT. Tenho notado como os estudos da teologia veterotestamentária, tem trazido o enfoque de eleição, pacto, salvação, reconciliação, escatologia, etc... frutos apenas de uma teologia sistemática partidária, minha principal objeção contra este proceder é que quem as pratica dá as costas para a linguagem do AT. Essas noções podem ser reflexões tardias sobre assuntos que a Bíblia trata com palavras muito mais comuns e precisas. C. Westermann recomenda um enfoque alternativo: em vez de falar, por exemplo, da salvação como requisito, tem maior interesse em pesquisar a estrutura verbal, neste caso, a palavra utilizada “SALVAR” yãsã asayaassim, ou ao menos pensa Westermann, a pesquisa não se centrará em condições estáticas, mais em acontecimentos dinâmicos. A aplicação de tal método nos permite descobrir que a grande eclipse que descreve a ideia do AT. Sobre Deus tem dois focos, um deles é o Deus Salvador, o que Karl Barth descreveu como: SENKRECHT VON OBEN (O DIREITO DE CIMA), isto é, a intervenção divina instantânea e inesperada; Deus toma parte ativa na historia salvifica do povo. O outro foco é o Deus providente, a atividade criadora divina, que nada tem a ver com intervenções dramáticas no acontecer humano ou na historia da salvação; pelo contrario, trata-se da providencia constante e inefável de Deus, que em todo momento conecta o criado com sua fonte e que funciona “HORIZONTALMENTE” dentro do próprio curso da historia: a colheita anual e a multiplicação da descendência, animal e humana, na tenda patriarcal são mostras cotidianas desta providencia celestial. Esta concepção de Deus aparece fundamentalmente nos livros sapienciais e nos salmos, enquanto que o Deus salvador é próprio dos livros históricos, principalmente o pentateuco. A postura de Westermann constitui uma saudável reação contra a estreiteza de olhar que tem caracterizado os estudos teológicos do AT. Centrados em demasia na perspectiva do desenvolvimento da historia da salvação, e recorda que o Deus da Bíblia é algo mais que um Deus salvador. Westermann também toca num ponto culminante ao denunciar a corrente de abstração que tem dominado a teologia bíblica nestes tempos: diante do perigo de uma lenta asfixia no oceano díspar de informações que são os livros sagrados, o gosto em resumir e generalizar, mesmo correndo o risco de que o esforço acabe em abstrações sem força, anêmicas. 

O Deus Providente
Deus continua provendo geração
Após geração desde o começo dos
Tempos


Os Salmos e a Literatura
Sapiencial (Pv. Jó, Ecl)
O Deus Salvador
O Milagre da fuga do Egito é um
Bom exemplo do modo em que
Deus intervém na Historia.


Os livros Históricos do AT.

Definição teologal de Claus Westermann



Dessa, forma, a contribuição de Westermann não deixa de ter valor, e partindo de diferentes pontos de vista, outros autores tem chamado a atenção a respeito das diferentes particularidades da ideia de Deus no AT. Uma das razões que tem levado a centralizar meu estudo nos nomes de Deus é que se trata de um tema frequentemente ignorado pelas pesquisas recentes sobre o AT. Além disso, levantar a questão da ideia que Israel tinha por Deus por meio do estudo dos nomes sagrados ajuda a esclarecer com seriedade como entender a Deus na Bíblia.
O primeiro desafio é aceitar o texto sagrado em sua própria formulação, sem interpreta-la com o auxilio das abstrações teológicas ; ocupar-se das designações de Deus é trabalhar com elementos linguísticos próprios da linguagem divina da Bíblia, isto é, trabalhar no plano da língua hebraica. E não é só isso; trataremos de nomes próprios e para os antigos israelitas os nomes estavam repletos de sugestões. O outro desafio é colocar a sí mesmo nas coordenadas históricas em que se encontravam os protagonistas da Bíblia quando testificaram sobre Deus; não bastam só os detalhes linguísticos, temos que nos preocupar também com as situações históricas, especialmente se considerarmos que o AT. Nunca proporciona um retrato completo das particularidades do Ser Divino, inteligível num contexto abstrato fora do marco cronológico e dos detalhes de uma dada situação histórica. Hoje precisamos aceitar que através do AT. Estamos conhecendo todos os retratos possíveis, imagináveis do Pantocrator, quer seja em momentos concretos nos quais narram as Escrituras, Deus se apresenta à humanidade, segundo esta situação histórica, o povo é consciente de novos traços e particularidades do Deus escondido. Essa observação nos conduz ao importante ponto das relações mutuas entre teologia e acontecimento: a teologia do antigo Israel, entendida no sentido de suas ideias sobre Deus, se desenvolve como resposta aos contínuos mutáveis desafios da vida diária.
Os textos bíblicos constituem um poderoso legado a favor de que, apesar de todas as mudanças, há uma constante na revelação: O Deus que se manifestou a Abraão é o mesmo que falou a Moisés, com Isaias e com Ezequiel (Ex.3:6; 6:3). Entretanto, isso não significa que a ideia que Isaias tinha de Deus era a mesma dos patriarcas. Nos próximos cultos veremos as divergentes ideias, porem, paradoxalmente as ideias patriarcais sobre o monoteísmo restrito e a importância dos nomes de Deus para revelar sua unidade estão perfeitamente atreladas as ideias do Profeta Isaias.
Uma lista completa dos diversos nomes divinos empregados no AT. Seria muito extensa. Sem muito esforço, os nomes que me vem a memoria são YHW (O SENHOR), EL SHADDAY (DEUS TODO PODEROSO), ELOHIM (DEUS), YHWH TSEBAOT (SENHOR DOS EXERCITOS), além dos epítetos como “O DEUS VIVO”, “O SANTO”, “O EXCELSO”, “O REDENTOR” entre outros, caso o fizéssemos esta serie de mensagem seria por demais exaustiva e não apontaria para a compreensão da importância, que é nosso verdadeiro foco. Tanto ELOHIM, como ELOAH, ELOI, ELI, são apenas similares, alguns deles são vagos e amorfos que será redundante estuda-los, ou alguns foram tão pouco empregados que são um tanto suspeito por sua escassa representação.
2 – O Significado dos Nomes no Mundo Bíblico:
Primeiro devemos considerar como o mundo bíblico concebe os nomes pessoais em geral e os de Deus em particular. Alguns indícios apontam que, nesse ambiente, os nomes tinham grande importância:
1.1       Nome e Realidade: no mundo conceitual dos antigos semitas, nome e realidade caminhavam juntos. A introdução ao poema épico babilônico da criação, o ENUMA ELISH, descreve como era tudo antes que se criassem os céus e a terra, isto é, antes que as coisas fossem “NOMEADAS”, logo nomes e existência são a mesma realidade. Algo similar se encontra na narração bíblica do Paraiso: “...Depois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o Senhor Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome...” (Gn.2:19 NVI). Dean Mc Bride fez uma sagaz observação ressaltando que dar o nome às coisas é um importante complemento do ato divino da criação, porque é assim que se organiza tudo o que vive, se divide e se define em entidades reconhecíveis.
1.2       Nome e Personalidade: em nosso mundo existe a tendência de considerar que os nomes próprios são etiquetas que se aderem às coisas, isto é, que são banalmente utilizados para identificar e distinguir objetos e indivíduos. Ao contrario disso, o que sabemos mostra que o mundo bíblico existia uma ligação mais intima entre o nome e o seu portador, em 1 Samuel 25 se conta a historia de um tal NABAL, que, arrogantemente, se negou a dar alimentos a Davi e a seus homens, porem, a mulher de Nabal percebe a estupida atitude de seu marido e diz a Davi:”... Meu senhor, não dês atenção àquele homem mau, Nabal. Ele é insensato, conforme o seu nome significa; e a insensatez o acompanha. Contudo, eu, tua serva, não vi os rapazes que meu senhor enviou...” (1Sm.25:25 NVI). Possivelmente seus pais tinham dado a Nabal um nome que significava “O NOBRE”, mais no hebraico o adjetivo NABAL, pode significar igualmente o oposto, ou seja, “O ESTÚPIDO”, “O INSENSATO”, tal jogo de palavras constitui o núcleo do relato anterior, na medida em que o caráter de Nabal fica bem expresso por seu nome. Outro exemplo pertinente se encontra nos relatos patriarcais, quando Esaú comenta o seguinte sobre a falta de escrúpulos do seu irmão: “...E disse Esaú: "Não é com razão que o seu nome é Jacó? Já é a segunda vez que ele me engana! Primeiro, tomou o meu direito de filho mais velho e agora recebeu a minha bênção! " Então perguntou ao pai: "O senhor não reservou nenhuma bênção para mim?... " (Gn.27:36 NVI). Uma tradução de confiança sustenta que o nome de Jacó significa “DEUS PROTEJA”, que “DEUS TE CONSERVE”, o que provavelmente expressa a bem aventurança que os pais desejavam ao seu filho recém nascido, outra tradução igualmente confiável, aponta para a ideia de “AQUELE QUE AGARRA A OPORTUNIDADE”, ou “AGARRADO AO CALCANHAR”, Esaú, entretanto, nos remete a outra etimologia, a derivada da raiz semítica AGABÓ (JACÓ) que significa “SUPLANTADOR” ou “ENGANADOR”, desta forma, muitos pregadores, e até mesmo teólogos definem Jacó simplesmente como enganador, pelo fato de que Jacó tinha a capacidade de enganar. Enfim isto pode ajudar a compreender o porque da mudança do nome de Jacó, que passa a ser chamado de “ISRAEL”, seu encontro noturno com o Deus de Jaboque produziu tal mudança em sua forma de ser que deixou de se comportar como antes (Gn.32:28). Esse vinculo entre o nome e a personalidade – uma relação que é dificilmente definível, mais que não deixa de existir – é o que permite compreender várias expressões. Uma delas aparece na conversa entre Deus e Moisés, quando o primeiro diz: “EU TE CONHEÇO PELO TEU NOME” (Ex.33:17). Diferentemente do uso contemporâneo, onde conhecer a alguém “pelo nome” é sinônimo de uma relação superficial, no mundo bíblico a expressão indica algo mais profundo: DEUS SABE QUEM É MOISES PORQUE CONHECE INTIMAMENTE O SEU CARATER. A segunda expressão é bem conhecida: “EM HONRA DO SEU NOME”. O salmista exclama: “...restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome...” (Sl.23:3 NVI); e existe também a expressão profética: “...Por amor do meu próprio nome eu adio a minha ira; por amor de meu louvor eu a contive, para que você não fosse eliminado...” (Is.48:9 NVI). A frase parece se referir à essência de Deus: porque Deus é como é, porque Deus é Deus, atua conforme a sua vontade pelo caminho do bem, é paciente, perdoa os pecados, etc... para nossos propósitos, o interessante é que a Bíblia se refere a essas realidades mediante o nome de Deus. Finalmente, a relação entre nome e pessoa explica porque o AT. Às vezes se refere ao nome e não ao seu portador, como acontece, por exemplo, em Isaias e nos Salmos: “...Vejam! De longe vem o Nome do Senhor, com sua ira em chamas, e densas nuvens de fumaça; seus lábios estão cheios de ira, e sua língua é fogo consumidor...” (Is.30:27 NVI); “...Que o Senhor te responda no tempo da angústia; o nome do Deus de Jacó te proteja!...” (Sl.20:1 NVI).
1.3       Nome e Presença: Até agora falamos da associação entre nome e realidade e entre nome e presença: por presença se entende obviamente, à de Deus, isto é, suas manifestações, as teofanias. No antigo “CÓDIGO DA ALIANÇA” transmitido no livro do Exodo, o texto original hebraico contem uma afirmação difícil de interpretar, mas que em minha opinião deve entender-se deste modo: “...Façam-me um altar de terra e nele sacrifiquem-me os seus holocaustos e as suas ofertas de comunhão, as suas ovelhas e os seus bois. Onde quer que eu faça celebrar o meu nome, virei a vocês e os abençoarei...” (Ex.20:24 NVI). Em outras palavras: Deus proclama seu nome no santuário, manifestando, desse modo, Sua presença (Dt.4:7). O AT. Contem um numero de passagens em que se descreve o que, com bastante exatidão, pode ser chamado uma teofania, uma manifestação de Deus. Tais textos apresentam duas características comuns. Primeiro, se referem habitualmente à “VINDA” da divindade, seja do Sinai, seja de Arã ou de outro lugar, e o verbo do movimento implica que Deus se aproxima. Em segundo lugar, a vinda de Deus acontece em meio de fenômenos naturais, a terra treme e as montanhas se movem, derretendo-se como a cera. Uma passagem como a de Juizes 5:4-5 pertence a este grupo de descrições de teofanias; Arthur Weiser e outros estudiosos sustentaram que a teofania formava parte da liturgia do templo de Salomão, onde um rito assim harmonizaria bem com o caráter dramático da liturgia: é muito provável que as tochas e o som das trombetas foram – podemos assim pensar – parte do ritual da teofania (Ex.19:16 e 20:18); além disso, é logico que o anuncio do nome sagrado fosse o momento crucial da cerimonia e indicaria a especial presença de Deus; essa proclamação podia ser feita, talvez, pelo sumo sacerdote ou por outro profeta que participasse no serviço divino. Entretanto, isso é uma hipótese e assim deve ser considerada.
1.4       O Valor Legal do Nome: Quando se compra ou se vende uma propriedade, costumamos registra-la por escrito para que conste futuramente. No antigo Israel, anunciar o nome do novo proprietário era o colofão de qualquer trato; assim, por exemplo, quando se vendia uma propriedade, o nome do comprador era chamado diante das testemunhas no lugar em questão enquanto se fechava a compra e venda e o dinheiro mudava de mãos; Kurt Galling enumerou uma série de passagens do AT. Que devem ser entendidas em relação a esta pratica (Sl.49:11-12) se refere aqueles que davam o próprio nome as suas propriedades; em Isaias 4:1, o texto em hebraico relata como sete mulheres dizem ao mesmo homem, em ordem: ‘QUE NOS SEJA PERMITIDO USAR O TEU NOME’. As expressões legais são também empregadas em sentido teológico como por exemplo, quando alguém ou algo se é conhecido como o nome do Senhor. Jeremias não recebeu seu nome de Deus, como frequentemente se traduz: “...Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos...” (Jr.15:16 ARCFIEL); em outras palavras é o escravo de Deus. Da mesma maneira em Jeremias 14:9 nos diz: “...Por que serias como homem surpreendido, como poderoso que não pode livrar? Mas tu estás no meio de nós, ó Senhor, e nós somos chamados pelo teu nome; não nos desampares...” (Jr.14:9 ARCFIEL). Não por causa da dedicação do Templo, Salomão afirma que: “ESTE TEMPLO QUE EDIFIQUEI TRAZ O TEU NOME” (1Rs.8:43); e finalmente, em Amós 9:12; é o “POVO” sobre quem se pronuncia o nome de Deus. É obvio, mais vale a pena repetir que o AT. É a Bíblia de Jesus, e, portanto, o NT precisa de seu contexto justo se não pudesse ser interpretado a luz dos livros anteriores.

Nossa serie de mensagens nos permitirá que falemos mais sobre isso, mais agora para terminar quero citar um texto do Novo Testamento: “...Não são eles que difamam o bom nome que sobre vocês foi invocado?...” (Tg.2:7 NVI). A forma de Thiago se expressar lembra a proclamação do direito de propriedade, tal e como aparece no AT., e testemunha que o nome de Jesus era proclamado  sobre aqueles que recebiam o batismo: qualquer pessoa batizada entrava numa nova relação com Jesus, porque passava a ser propriedade de Jesus, por isto batizamos em Nome de Jesus.

 atte.


       Pr. Dr. Wagner Teruel
Phd.Db.Dee.Mth.Mcr.Mpsi,Thb\Lic