Aprendendo com a peregrinação de Elimeleque e de Noemi!
“ Nos dias
em que os juízes julgavam,houve fome na terra, e um homem de Belém de Judá, saiu
a habitar no país de Moabe, ele, sua mulher e seus dois filhos.” (Rt.1:1).
Introdução: O período dos juízes, foi marcado por uma transição religiosa,foi um
período de inconstância espiritual em Israel,onde a nação tinha dificuldades de
estabelecer um período prolongado de retidão,fidelidade,santidade na presença
de Deus.
Em nossos dias há um forte paralelo com este período bíblico, pois há um
fenômeno preocupante dentro da igreja, que podemos chamar de “quedas
espirituais”. Não somente no âmbito individual, onde ao passo que as igrejas
arrebanham multidões, há um constante aumento de pessoas decaindo da graça, e
no que se refere a igreja como um todo, o corpo de Cristo, sofre de uma
decadência espiritual, doutrinária, teológica e moral.
E como caracterizava-se naqueles dias, podemos apontar dentre muitas causas, três,
que desencadeam todo o processo:
1°falta de instrução;
2°falta de direção;
3°falta de líderes espirituais;
Certa feita
o salmista orou e disse: “Tu me farás contemplar os caminhos da vida; na tua
presença me encherás de alegria, com delícias perpétuas à tua direita.” (Sl.16:11)
O anseio da alma de Davi, eram caminhos planos para andar, diretrizes na qual
pudesse realmente acreditar, e compreendeu que somente em Deus encontraria.
A falta de instrução: “ Dá instrução ao sábio,e ele se fará mais sábio ainda; ensina ao justo
e ele crescerá em prudência.” (Pv.9:9)
Durante o período dos juízes, há uma expressão comum que diz; que após a morte
de um juiz, os filhos de Israel tornavam a prática do mal, até que Deus ouvia o
clamor do povo oprimido e lhes dava um juiz, um líder. Os juízes levantados por
Deus não tinham uma preocupação iminente em preparar líderes para darem
continuidade ao seu trabalho. Nenhum juiz apresentou uma visão a longo prazo em
relação a este aspecto. Exerciam autoridade, porém não velavam pela instrução, pelo
discipulado, não se preocupavam com a transição de uma geração para outra, deixando
neste interlúdio uma lacuna no que se refere a estabilidade espiritual da nação.
2°Pela ausência de instrução: desencadeava-se o segundo fator; a ausência de direção, e outra
característica deste período é: “Naqueles dias não havia rei em Israel, porém
cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos.” (Jz.21:25). Ou seja, como
obreiro do Senhor, precisa haver uma constante análise de seu trabalho, pois
erros simples que passam desapercebidos no presente, podem desencadear uma
série de outros erros no futuro. Observe que, embora estejamos analisando três
causas que contribuíram para a oscilação de Israel, tanto na área social, governamental
como espiritual, há uma profunda correlação entre ambas, de modo que é
impossível desmembrar uma das outras. Este problema só foi solucionado quando
Samuel assume a posição de último juiz e primeiro profeta de Israel, uma vez
que sua primeira atitude é fundar a escola dos profetas, onde o ensino é
difundido, e Samuel começa a cultivar um ensino espiritual, preparando moços
para serem usados por Deus, mas promovendo também matérias seculares, visando o
desenvolvimento intelectual dos alunos. Note que uma visão de um líder
espiritual consegue instruir, direcionar e promover a espiritualidade.
3°A ausência de líderes preparados e comprometidos
com seu ministério: Note que mesmo os líderes
vocacionados por Deus relutavam em assumir responsabilidades, e, estes são os
piores de todos os homens. Pois o pior não é o que erra tentando acertar, mas
sim, o que se omite de suas responsabilidades, pois a covardia e o descaso
precedem graves erros.
Baraque por sua covardia não teve todos os méritos em sua batalha, e o
livramento foi atribuído a uma mulher. Gideão, por seu descaso promoveu a
idolatria em Israel, fez uma estola sacerdotal para ISRAEL adorar, e o povo
veio a se prostituir ali. Sansão por seu descaso veio a se misturar com uma
prostituta aliada dos inimigos de Israel. Estes homens entraram para a galeria
dos heróis da fé, por suas atitudes de fé em tempos de apostasia espiritual, e
pela fidelidade de Deus, que apesar de todas intempéries, e equívocos cometidos
por estes homens, deu-lhes um fim de honra, triunfando sobre os inimigos em
seus dias, mas em geral, foram homens que poderiam ter uma história muito mais
excelente. Isto também traça um paralelo com os homens levantados por Deus em
nossa geração, muitos não desenvolvem a chamada do Senhor em sua totalidade, outros
tem seus ministérios abreviados por acidentes no percurso, acidentes que
poderiam ser evitados, outros chegam ao poder e, como grande parte dos juízes
gastam todos os anos preciosos que Deus lhes deu preocupados apenas com o
presente, com o hoje, não fazem um trabalho pensando no futuro. Pregam muito
sobre a águia e seus atributos; sua visão de longo alcance, seus vôos, suas
asas, sua velocidade, seu renovo em idade avançada, o privilégio de degustar o
melhor salmão dos mares, mas vivem como verdadeiras galinhas, voando baixo, comendo
sobras, fazendo barulho e deixando um rastro de sujeira por onde passam.
Estes homens receberam de Deus unção para romper a barreira do natural e andar
no sobrenatural, autoridade para liderar, vencer inimigos poderosos, conquistar
territórios, e não compreenderam o que tinham nas mãos. Que Deus nos ajude a
valorizarmos tudo o que de suas mãos temos recebido, sabendo que dons, vocação,
ministérios, são oportunidades que Deus dá a menos de 1/10 de toda a
humanidade, e que a qualquer momento Deus pode levantar outro para ocupar o
nosso lugar, e, fazer com maestria o que às vezes fazemos descompromissados.
Quando Saul deixou de atender às expectativas de Deus, o próprio Deus falou a
Samuel: já me provi de um rei que é segundo o meu coração.
A decisão de Elimeleque era reflexo dos dias em que vivia. Em nossos dias há no
cerne da igreja cristã algumas posturas que incitam decisões equivocadas por
parte do corpo de Cristo. Há o sensacionalismo, misticismo, e aqueles que
ensinam segundo suas ideologias. Por tais razões há fome na terra, falta pão na
casa do pão. Houve fome na terra que mana leite e mel. O pão alimento
encontrado em toda parte do mundo, independente da forma característica ou
preparo, porém, em Belém (orig.heb:casa do pão) faltou pão.
À luz das escrituras o pão é símbolo da palavra, e não apenas a palavra do
intelecto, segundo a expressão comum entre os pregadores 'pão do conhecimento”,
mas também o pão que Moisés por revelação divina cita em Nm 4;7 “Também sobre a
mesa da proposição estenderão um pano azul; e sobre ela, porão os pratos, e os
seus incensários, e as taças, e as escudelas; também o pão contínuo estará
sobre ela.” Este pão da proposição trata-se da presença do Senhor, por isso
Jesus pode dizer: “...Na verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu, mas
meu pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce
do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois; Senhor, dá-nos desse pão. E
Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome..”João
6;32-35.
O texto de Josué cap.9 relata a história de uma caravana de gibeonitas ... “E
os moradores de Gibeão, ouvindo o que Josué fizera com Jericó e com Ai, usaram
também de astúcia, e foram, e se fingiram embaixadores, e tomaram sacos velhos
sobre os seus jumentos e odres de vinhos velhos, e rotos e remendados; e nos
pés sapatos velhos e remendados e vestes velhas sobre si; e todo o pão que
traziam para o caminho era seco e bolorento.”Js 9;3-5
Observe as condições dessa caravana:
1°odres de vinhos velhos, rotos e
remendados;
LUCAS 5;37 “E ninguém põe vinho vinho novo em odres velhos; de outra sorte ,o
vinho novo romperá os odres e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão.
Mas o vinho novo deve ser posto em odres novos, e ambos juntamente se
conservarão. E ninguém, tendo bebido o velho, quer logo o novo, porque diz: Melhor
é o velho.”
Naqueles dias Israel estava saboreando o vinho novo, não fermentado, de
alegria, novidade de vida.
2°...e nos pés sapatos velhos e
remendados e vestes velhas sobre si...
DEUTERONÔMIO 29;5 “ E quarenta anos vos fiz andar pelo deserto; não se
envelheceram as vossas vestes, nem se envelheceu no teu pé o teu sapato.”
Note o contraste entre uma caravana em miséria e o cuidado de Deus sobre a
congregação de Israel
3° o pão era seco e bolorento...
Israel tinha o pão da proposição que apontava para Jesus, o pão vivo que desceu
do céu.
4°velho,roto e remendado...
três características principais da caravana gibeonita; E Jesus disse ; “Ninguém
costura remendo de pano novo em veste velha; porque o mesmo remendo novo rompe
o velho, e a rotura fica ainda maior.” Mc 2;21
Israel era o tecido novo preservado por Deus durante 40 anos no deserto, e
aquela caravana era o vestido velho. Jesus disse que esta junção faria uma
rotura ainda maior, e de fato foi o que houve, os gibeonitas foram
amaldiçoados, tornando-se escravos.
As condições dessa caravana são tipos, figuras de alguns princípios
espirituais, que podemos expor da seguinte forma. Quando faltou pão em Belém;
1°faltou a presença de Deus que
preservava a nação. O pão que era vivo agora era escasso, seco e
bolorento, como o pão dos gibeonitas. E infelizmente, muitas igrejas já
perderam o pão da proposição, e tem servido pão dos gibeonitas na mesa, pão
seco e bolorento; mensagens mortas, com um conhecimento morto, pois o
conhecimento sem a presença de Deus, na linguagem paulina é chamado de
“caducidade da letra”, por isso que na mesa da proposição (Nm.4:7-9) tinha o
pão que aponta para a presença de Deus, tinha o incensário que aponta para a
oração e o castiçal da luminária que aponta para a revelação de Deus. Quando
faltam estes três elementos na mesa da proposição na igreja, que hoje é o
púlpito, o pão é seco e bolorento. As pessoas passam horas na igreja e saem do
mesmo modo que entraram, almas vazias, mensagens que não transformam, que não
curam, incapazes de produzirem nos ouvintes o desejo de ter e viver a vida de
Cristo. E acabam como os moradores de Belém; no lugar da bênção, mas em miséria
espiritual. A alma transparece o que recebe, e na falta de alimento espiritual,
definha, enfraquece.
2°O pão, o vinho, o odre e as vestes;
Todos estes elementos na congregação de Israel eram novos, apontando para uma
constante novidade de vida mesmo em meio ao deserto da história. Nem o deserto
que por vezes podemos atravessar ao longo de nossa vida cristã, tem poder de
envelhecer;
-O pão; a presença de Deus.
Lembre-se que Jesus foi ao deserto, e a presença viva da palavra o fez vencer
Satanás;
-O odre;as promessas. Por
esta causa Paulo exorta seu filho Timóteo; “Este mandamento te dou, meu filho
Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por ela boa milícia,
conservando a fé e a boa consciência.” I Tm 1;18,19
As promessas não envelhecem com o tempo, não enfraquecem com o fator externo.
Como o odre preserva o vinho, assim as promessas preservam a nossa alegria, fé
e boa consciência, sabendo que : “...se com ele perseverarmos, também com ele
reinaremos.”II Tm 2;12
-O vinho;alegria
insondável,inefável,infindável,que somente a casa de Israel conheceu.
-As vestes;as vestes dos santos são
descritas como sendo de linho fino e puríssimo, lavadas no sangue
carmesim, mais alvas que a neve ou branca lã .Vestes de justiça, santidade e
separação, e não envelhecem pois estes valores não mudam. “Pelo contrário, assim
como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos vós mesmos em todo vosso
procedimento, porque escrito está: Sede santos porque eu sou santo.”I Pe
1;15,16
E ainda: “Jesus Cristo ontem, hoje e sempre.” Hb 13;8
Quando falta
o pão em Belém de Judá, o líder de uma casa, a saber, Elimeleque, vende sua
propriedade em Belém, para ir a Moabe. E, Moabe à luz do contexto teve um sabor
amargo na história dessa família, e na direção que Elimeleque toma para o
futuro de sua casa existem alguns princípios espirituais. Veja o que
representou Moabe na história dessa casa:
1° Moabe,ribeiro ilusório. As
águas da cidade foram amargas a família. Isto nos leva a considerar que nem
sempre quando as crises surgirem a melhor solução é migrar, muitas vezes a
solução está
justamente em ficar e enfrentar.
2°Moabe,um atalho para conquistar.
Na ânsia de conquistar um futuro melhor para sua casa, Elimeleque viu em outras
terras, uma eventual possibilidade. Mas, aquele atalho teve um preço alto
demais; sua própria vida. Isto lança luz à uma reflexão: “ atalhos que deixam
seqüelas”.O atalho de Moabe, deixou uma seqüela profunda no seio da família, abreviou
os dias de Elimeleque. Quantos
atalhos nos negócios que não deixam um rastro de dívidas, situações mal
resolvidas, gerando vergonha para a própria casa. Quantos atalhos nos
relacionamentos não geram morte espiritual, e o fim de um projeto de vida.
Quantos atalhos no ministério não levam obreiros a assumirem responsabilidades
antes do tempo, expondo suas famílias a mudanças bruscas, às vezes de cidade, estado,
país, sacrificando o bem estar de esposa e filhos, sob um pretexto de estar
fazendo a obra de Deus. O empresário Elimeleque é aquele ambicioso que faz
investimentos de alto risco de forma inconseqüente. A questão não é o risco em
si, e sim a ausência de uma garantia de retorno.
Elimeleque é um garimpeiro que arrisca sua vida em um campo minado. Elimeleque
é um obreiro que não pensa em sua família na hora das decisões. Em suma, alguém
que se propõe a assumir riscos
quando o retorno não é maior que o risco assumido.
3°Moabe, fuga dos desafios. O
desafio de Judá era simplesmente de trilhar o caminho do arrependimento, e Deus
mudaria a história. Partindo desse prisma, o primeiro desafio de um cristão
quando as dificuldades surgirem, é buscar ao Senhor, pois dele vem o milagre.
Mas a postura auto suficiente foi o agravante. Naqueles dias não havia rei em
Israel e cada um fazia o que lhe parecia correto aos olhos. Quando o sentimento
de auto suficiência toma conta da casa de Israel a crise vai se agravando com o
passar dos dias. Por esta causa disse Davi: “Não faz caso da força do cavalo, nem
se compraz nos músculos do guerreiro. Agrada-se o Senhor dos que o temem, e dos
que esperam na sua misericórdia.”Sl 147;10,11
Não fuja de desafios espirituais. Neemias quando estava reconstruindo os muros
de Jerusalém, enfrentou uma série deles, mas quando confrontado disse: Um homem
como eu fugiria?
Ne 6;11
4°Moabe,cemitério dos sonhos.
Nas terras longínquas de Moabe, foram sepultados os sonhos de uma família.
“Há caminho ao homem que parece direito, mas o fim dele são os caminhos da
morte. ” Pv 14;12
Foram sepultados os sonhos de três homens; Elimeleque, Malom e Quiliom. E os
sonhos de três mulheres: Noemi, Rute e Orfa. Observe que uma atitude reflete no
futuro de seis pessoas. O efeito esporádico de nossas atitudes é aquele que é
percebido a curto prazo, e o efeito sistêmico é aquele que é percebido a longo
prazo. Nem sempre quando os efeitos esporádicos são satisfatórios, os efeitos
sistêmicos serão também. Após dez anos em Moabe, aquela casa ainda sofria com
os efeitos de decisões do passado.
A família desce a Moabe e a primeira atitude; os filhos de Judá casam-se com
mulheres moabitas, o que segundo a lei mosaica era abominável, Israel deveria
ser obrigatoriamente separado.
No período pós-exílio, tal atitude caracterizou-se um laço para Israel. Observe
o texto de Neemias 13;23,24 : “Vi também naqueles dias judeus que tinham casado
com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas. Metade de seus filhos falavam a
língua de asdode ou a língua de um dos outros povos, e não podiam falar a língua
de Judá.”
Em Esdras cap.10, Esdras faz o povo despedir as mulheres estrangeiras.
Neemias relata que a nova geração que nascia no coração de Jerusalém não sabia
falar a língua de Judá.
Isto aponta para o enfraquecimento e a perda dos valores, históricos, familiares
e acima de tudo; espirituais. Quando Ciro promulga o fim do cativeiro israelita
na Babilônia e incentiva o retorno para Jerusalém, muitos filhos de Israel
preferiram ficar na Babilônia, pois haviam se misturado com o povo, casaram
seus filhos com caldeus, e a linguagem de Judá não os comovia mais, a linguagem
da separação, da consagração da família ao Senhor, o cântico de adoração a
Jeová, não era prioridade.
A língua asdodita aponta para uma língua mundana, distante do propósito de
Deus.
Este é o perigo do séc. XXI, a mistura excessiva da Igreja com o mundo. Lembre
que Pedro quando negava Jesus, alguém lhe disse; tu falas como ele!!! A Igreja
de Cristo tem uma linguagem peculiar, o profeta Isaías disse que a nós foi dado
uma língua erudita.
Quando os filhos da Igreja dão-se em casamento com ímpios, a tendência é
culminar neste ponto; a mistura que enfraquece os valores da fé.
Cap.1;4,5...quando já fazia quase dez anos que moravam ali, morreram Malom e
Quiliom.
Com o passar dos anos todo vínculo com Judá ia desvanecendo, e não houve tempo
de retornar a Judá. Este quadro repete-se em nossos dias, muitas famílias saem
de Belém de Judá, a Igreja, e quando retornam trazem uma história de perdas, voltam
com o luto, com traumas, com um grande vazio na alma, e a sensação de ter
desperdiçado preciosos anos de sua vida longe do Senhor. Quantos casais que
voltam quando a peregrinação em Moabe destruiu seu casamento, usurpou-lhe os
filhos, e de uma família que um dia foi feliz na igreja só restam lembranças. Então
voltam, não mais como Noemi, mas sim como Mara, em profunda amargura de alma.
Noemi significa;agradável. Mara significa; amarga. Noemi diz que cheia saiu.
Mara diz que vazia voltou. Em Moabe ficou muito mais que os bens da família, ficou
a alegria da alma.
v.6 “Então se levantou ela com as suas noras e voltou dos campos de Moabe, porquanto
na terra de Moabe, ouviu que o Senhor tinha visitado o seu povo dando-lhe pão.”
Isto leva-nos a considerar o cuidado de Deus por Belém; casa do pão. A crise
não permanece num lugar que Deus escolheu para si. Ao longo da história a
cidade enfrentou momentos difíceis, mas Deus sempre esteve velando pela cidade.
Quando o
silêncio de Deus imperava na judéia, foi numa manjedoura em Belém que o
silêncio se quebrou, então ouviu-se um cântico de uma multidão dos exércitos
celestiais... “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os
homens !!(Lc.2:13,14)
Quando o Senhor lembrou-se de Belém dando-lhe pão, a sua presença, a sua
provisão, houve uma colheita, houve um novo tempo em Judá. Tempo de colheita, os
celeiros transbordaram .O V.22 ...
“Assim voltou Noemi da terra de Moabe, e com ela Rute, sua nora, a moabita, chegaram
a Belém no princípio da sega da cevada.”
O regresso a Belém representa:
1°o fim de um deserto espiritual;
Em Moabe, cultuava-se a Moloq, onde os pagãos ofereciam seus filhos em
sacrifício. Em Belém havia o culto ao Deus vivo, este regresso é figura de
reconciliação com Deus. Noemi era como velha sem pastor, ferida pelos espinhos
da vida, maltratada pelo deserto espiritual de Moabe, errante, sem perspectiva,
sem esperança, mas o pastor de Israel não esqueceu-se da viúva. Nem de Rute, que
até o momento não havia gerado ainda. Observe que as duas noras de Noemi. Rute
e Orfa, não tiveram filhos. Não porque fossem estéreis, mas Moabe é uma terra
estéril. Mas diz o Senhor; “Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; exulta
com alegre canto, e exclama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são
os filhos da mulher solitária, do que os filhos da casada, diz o Senhor. Não
temas, porque não serás envergonhada; não te envergonhes, porque não sofrerás
humilhação; pois te esquecerás da vergonha da tua mocidade e não mais te
lembrarás do opróbrio da tua viuvez. Porque o teu Criador é o teu marido; o
Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é
chamado o Deus de toda terra. Porque o Senhor te chamou como a mulher
desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora
repudiada, diz o teu Deus. Por breve momento te deixei, mas com grandes
misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação escondi de ti a
minha face por um momento, mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz
o Senhor, o teu Redentor.”IS 54;1,4-8.
2°o fim da solidão;
“Deus faz com que o solitário habite em família, e liberta aqueles que estão
presos em grilhões,mas os rebeldes habitam em terra seca.” (Sl 68:6); Davi
compõe este Salmo com base em sua experiência pessoal. Ao longo de sua carreira
experimentou diversos momentos de solidão, houve ocasiões que sua família
parecia estar à beira de um precipício. Em I Sm 19, o rei Saul manda seus
homens invadirem a casa onde Davi,morava com sua esposa e filha do rei; Mical
.E os homens de Saul vão pronto para matá-lo, e Davi é obrigado
a deixar para trás sua casa,sua esposa, o conforto do lar, e daí por diante
longos dias de solidão nos desertos e cavernas, fugindo de Saul, embora não
tivesse culpa nenhuma,o salmista teve que enfrentar até que Deus provesse uma
nova família. Por isso reconhece que família é dádiva de Deus, que o galardão
do solitário é habitar em família. Em pouco menos de dez anos a casa de Noemi
se desfaz, deixando um grande vazio na alma da viúva, não havia qualquer
perspectiva de restituição daquela linhagem, o nome da família iria cair no
esquecimento, mas quando volta para
Belém, o Senhor daquele povo toma o nome de sua família. Disse o apóstolo
Paulo: “ Por esta causa me ponho de joelhos diante do pai, de quem toma o nome
de toda família, tanto no céu como sobre a terra...”Ef 2;14,15
Quando entregamos o nome de nossa família nas mãos de Deus podemos ter a
certeza que não cairá no esquecimento.
3°fim da
escassez;....chegaram a Belém no princípio da sega
da cevada; Estar no centro da vontade de Deus, não significa estar isento de
enfrentar períodos de instabilidade. Mas, sim, a certeza de um cuidado todo
especial da parte de Deus.
Disse o salmista Davi; “Não serão envergonhados nos dias do mal, e nos dias da
fome se fartarão.” (Sl.37:19)
Nos dias de Abraão e Isaque, houve fome na terra, mas o Senhor os fez prosperar
num tempo que os indicadores da economia apontava uma depressão econômica.
Nos dias de José, quando a fome perdurou por sete anos na terra, os celeiros do
Egito estavam repletos de trigo e cereal, graças a gestão do servo de Deus. De
modo que, toda a casa de Jacó; ao todo75 pessoas comiam o melhor da terra, e
possuíram os melhores campos do Egito.
Muitos homens de Deus enfrentaram períodos semelhantes em seus dias, porém em
cada geração, Deus se revelou de forma singular fartando-lhes a alma.
No deserto, peregrinando rumo a Canaã, Deus mandou o maná e codornizes.
Nos dias de Elias, Deus proveu pão e carne usando um corvo como garçom real.
Quando cessou a água, providenciou uma viúva em Sarepta, e sob uma palavra
profética houve um milagre de multiplicação que durou mais de três anos numa
botija de azeite e numa panela.
O segredo de todos estes milagres é o mesmo; onde há homem de Deus no centro da
vontade de Deus, há certeza de fartura. Que Deus nos ajude a nos posicionarmos,
e bênçãos virão sobre nossas casas e famílias.